Calculadora do GRI (índice de risco glicémico) com os dados do sensor de glicose

Academia de Diabetes: Recursos e Soluções

Fontes verificadas Atualizado: 4 de novembro de 2026

O índice de risco glicémico (GRI) mostra numa única pontuação, de 0 a 100, quão bem controlada esteve a glicemia durante, pelo menos, os últimos 14 dias. Quanto mais baixa for a pontuação, melhor é o controlo glicémico. A calculadora usa o tempo passado em quatro intervalos de glicemia do relatório do sensor. O resultado inclui a pontuação, a zona de A a E e quanto da pontuação vem das hipoglicemias e quanto vem das hiperglicemias.

Tempo passado em cada intervalo, em %
%
%
%
%

Se a aplicação mostrar apenas o tempo total abaixo de 70 mg/dL (3,9 mmol/L), tens de lhe subtrair o tempo abaixo de 54 mg/dL (3,0 mmol/L). Se a aplicação mostrar apenas o tempo total acima de 180 mg/dL (10,0 mmol/L), tens de lhe subtrair o tempo acima de 250 mg/dL (13,9 mmol/L). Se faltar um intervalo no relatório, tens de escrever 0.

Precisas do relatório do sensor de, pelo menos, os últimos 14 dias, com o sensor ativo pelo menos 70% do tempo [1]. Tens de introduzir o tempo passado em cada intervalo, em percentagem, tal como aparece no relatório. O resultado não decide sozinho o tratamento.

O cálculo é feito no navegador; não são enviados nem guardados quaisquer dados. O resultado tem fins informativos e não substitui a avaliação do médico.

O que é o índice de risco glicémico (GRI)?

O índice de risco glicémico (GRI) é uma pontuação de 0 a 100 que mostra quão bem controlada está a glicemia, tendo em conta as hipoglicemias e as hiperglicemias [2] [3]. Quanto mais baixa for a pontuação, melhor é o controlo glicémico [3]. O índice calcula-se a partir dos valores recebidos do sensor durante, pelo menos, os últimos 14 dias [3].

Um único número é mais fácil de acompanhar de um relatório para o outro do que várias percentagens [2]. A pontuação junta o tempo passado em cada intervalo de glicemia, com um peso definido por especialistas em diabetes [2]. Em crianças e adolescentes com diabetes tipo 1, uma pontuação mais alta associa-se a uma HbA1c mais alta, incluindo nos meses seguintes [4]. Em adultos com diabetes tipo 1, uma pontuação mais alta associa-se a pior qualidade de vida e a mais stress relacionado com a diabetes [5].

Como se calcula a pontuação e porque conta mais a hipoglicemia?

A hipoglicemia conta mais na pontuação do que a hiperglicemia [2]. Uma glicemia abaixo de 54 mg/dL (3,0 mmol/L) é uma hipoglicemia que tem de ser tratada imediatamente. A partir deste limiar começam a surgir os sintomas da falta de glicose no cérebro [1]. Em cada uma das duas partes da pontuação, os valores afastados do alvo contam mais do que os próximos do alvo [2].

O cálculo multiplica o tempo passado em cada intervalo, em percentagem, pelo peso desse intervalo e soma os resultados [2]. O peso mais alto pertence ao tempo abaixo de 54 mg/dL (3,0 mmol/L) e o mais baixo ao tempo entre 181 e 250 mg/dL (10,1–13,9 mmol/L) [2]. Um por cento de tempo no primeiro intervalo aumenta a pontuação quase quatro vezes mais do que um por cento no segundo [2]. A pontuação máxima é 100, mesmo que o resultado do cálculo ultrapasse este valor [2].

O que significam as zonas de A a E e as duas partes da pontuação?

As zonas dividem a pontuação em cinco escalões iguais, de A, o melhor controlo glicémico, a E, o pior [2]. A zona A abrange as pontuações 0–20, a zona B 21–40, a zona C 41–60, a zona D 61–80 e a zona E 81–100 [2]. Se o teu tempo em cada intervalo estiver exatamente no limite dos alvos recomendados para a maioria dos adultos, a pontuação ronda 34, na zona B [1] [2]. Uma pontuação na zona B não significa, portanto, um mau controlo glicémico.

A calculadora mostra-te também quanto da pontuação vem das hipoglicemias e quanto vem das hiperglicemias [2]. Se o tempo abaixo de 70 mg/dL (3,9 mmol/L) ultrapassar o teu alvo, tens de avisar a equipa médica sem esperar pela consulta seguinte. Isto aplica-se mesmo que a pontuação venha sobretudo das hiperglicemias [1]. Em crianças com diabetes tipo 1, um sistema de administração automatizada de insulina (AID) pode reduzir o tempo em hipoglicemia e em hiperglicemia [6].

De que dados preciso e para quem é adequada a calculadora?

Os dados devem ser tirados do relatório do sensor de, pelo menos, os últimos 14 dias, geralmente o perfil ambulatório de glicose (AGP) [1] [3]. O relatório é fiável se o sensor tiver estado ativo pelo menos 70% deste período [1]. Dele tens de copiar o tempo passado nos quatro intervalos fora do alvo, dois abaixo de 70 mg/dL (3,9 mmol/L) e dois acima de 180 mg/dL (10,0 mmol/L).

Algumas aplicações mostram apenas o tempo total abaixo de 70 mg/dL (3,9 mmol/L) ou acima de 180 mg/dL (10,0 mmol/L). Nesse caso, o tempo abaixo de 54 mg/dL (3,0 mmol/L) tem de ser subtraído do primeiro total e o tempo acima de 250 mg/dL (13,9 mmol/L), do segundo. A pontuação foi construída e é recomendada para os doentes tratados com insulina [2] [3]. Nos doentes sem tratamento com insulina, a sua utilidade ainda não está estabelecida [3].

Referências

  1. American Diabetes Association Professional Practice Committee. 6. Glycemic Goals, Hypoglycemia, and Hyperglycemic Crises: Standards of Care in Diabetes-2026. Diabetes Care. 2026;49(Suppl 1):S132-S149. PubMed
  2. Klonoff DC, Wang J, Rodbard D, et al. A Glycemia Risk Index (GRI) of Hypoglycemia and Hyperglycemia for Continuous Glucose Monitoring Validated by Clinician Ratings. J Diabetes Sci Technol. 2023;17(5):1226-1242. PubMed
  3. Umpierrez GE, Shah VN, Brady V, et al. Integrating the Glycemia Risk Index Into Clinical Practice and Research: A Consensus Report. J Diabetes Sci Technol. 2026;20(3):695-707. PubMed
  4. Panfil K, Redel JM, Vandervelden CA, et al. Correlation Between the Glycemia Risk Index and Longitudinal Hemoglobin A1c in Children and Young Adults With Type 1 Diabetes. J Diabetes Sci Technol. 2024;18(4):771-778. PubMed
  5. Díaz-Soto G, Pérez-López P, Férnandez-Velasco P, et al. Quality of life, diabetes-related stress and treatment satisfaction are correlated with glycemia risk index (GRI), time in range and hypoglycemia/hyperglycemia components in type 1 diabetes. Endocrine. 2024;86(1):186-193. PubMed
  6. Bojoga I, Ioacara S, Malinici E, et al. Enhanced Metabolic Control in a Pediatric Population with Type 1 Diabetes Mellitus Using Hybrid Closed-Loop and Predictive Low-Glucose Suspend Insulin Pump Treatments. Pediatr Rep. 2024;16(4):1188-1199. PubMed
Termos do glossário usados aqui