Como chegam os dados do sensor ao telemóvel ou a outro dispositivo de visualização?
O sensor contém um pequeno transmissor que envia os valores sem fios, geralmente por ondas de rádio do tipo Bluetooth. Os valores chegam ao dispositivo no qual os vês — o teu telemóvel ou um recetor dedicado. Na grande maioria dos sensores atuais, os «em tempo real», esta transferência faz-se automaticamente, a cada 1–5 minutos, sem que tenhas de premir qualquer botão.
Alguns sistemas usam, em vez disso, uma tecnologia diferente, chamada NFC, com um alcance muito curto. Tens de aproximar o telemóvel do sensor para comunicar com ele e ver os teus valores [1]. Os sistemas com transmissão contínua mostram-te a glicemia em tempo real e podem alertar-te a qualquer momento. Os de leitura por aproximação mostram os valores apenas quando aproximas o telemóvel do sensor, pelo que entre leituras não te alertam. Ambos continuam a ser métodos aceites de monitorização, mas a monitorização contínua conduz, em geral, a um melhor controlo da glicemia, como mostra a figura abaixo [2].
A transmissão contínua e a leitura, lado a lado
Onde são armazenados os dados do sensor de glicose?
Os teus dados são guardados em vários locais ao mesmo tempo, por segurança. O sensor tem a sua própria memória interna, que retém os valores quando o telemóvel não está por perto. Na maioria dos sistemas, cobre cerca de 24 horas. Em alguns modelos mais recentes pode cobrir muito mais, até todo o período de utilização [3].
O dispositivo no qual vês os resultados — o telemóvel ou o recetor — guarda, por sua vez, um histórico muito mais longo das tuas glicemias. Muitos sistemas enviam depois automaticamente uma cópia dos dados para um espaço de armazenamento online seguro, chamado nuvem, ao qual acedes através da conta pessoal criada na aplicação do sensor. Essa cópia permanece disponível, aconteça o que acontecer depois ao teu telemóvel. Outra pessoa — o médico ou a família — só pode ver estes dados se tu escolheres partilhá-los.
Os dados perdem-se se o dispositivo de visualização estiver demasiado longe do sensor?
Não se perdem. A ligação Bluetooth entre o sensor e o telemóvel funciona a uma distância de cerca de seis metros, em espaço aberto. As paredes, outros obstáculos e até o teu próprio corpo — por exemplo quando o telemóvel está do lado oposto ao do sensor — podem encurtar muito esta distância. Se te afastares demasiado, o dispositivo de visualização perde temporariamente o sinal. Geralmente não perdes os valores, porque o sensor guarda-os na sua memória interna. Completa-os automaticamente na aplicação quando voltas a estar por perto [3].
Enquanto a ligação estiver interrompida, a aplicação não recebe, porém, valores novos, pelo que não pode desencadear alarmes de hipoglicemia ou de hiperglicemia; estes regressam assim que o sinal for restabelecido. A situação é diferente nos sistemas de leitura por aproximação NFC: estes guardam os dados apenas cerca de oito horas. Tens, por isso, de aproximar o telemóvel do sensor antes de esse intervalo passar, caso contrário os valores mais antigos perdem-se definitivamente [1].
Posso aceder aos dados de glicemia mais antigos?
Sim, podes ver a qualquer momento os valores do passado. A aplicação guarda um histórico detalhado das tuas glicemias por dias, semanas e meses, o que te ajuda a acompanhar como os valores evoluíram ao longo do tempo.
Muitas aplicações geram também um relatório padronizado, chamado perfil glicémico ambulatório, abreviado AGP do inglês «ambulatory glucose profile». Ele resume os padrões da tua glicemia, por exemplo o tempo no intervalo (a percentagem do dia em que a glicemia se encontra no intervalo desejado), num formato fácil de acompanhar. É usado tanto por ti como pela tua equipa médica [4].
O que acontece aos dados de glicemia se eu mudar de telemóvel?
Se os teus dados estiverem guardados online, através de uma conta pessoal, não os perdes quando mudas de telemóvel. Instalas a aplicação no telemóvel novo, inicias sessão com a mesma conta, e o teu histórico reaparece automaticamente. Por isso é útil criares uma conta e não a mudares depois.
Já os dados guardados apenas localmente, no telemóvel antigo, sem uma cópia online, podem perder-se na mudança. Além disso, o sensor liga-se em geral a um único telemóvel de cada vez. Depois de passares para o telemóvel novo, o sensor enviará os valores apenas para este.
Posso exportar os dados de glicemia para mostrar ao médico?
Sim, podes partilhar facilmente os teus valores com o teu médico. A aplicação gera um relatório padronizado — o perfil glicémico ambulatório (AGP) — que pode ser guardado ou impresso e que apresenta as tuas glicemias num formato claro, fácil de interpretar [4].
Muitos sistemas permitem também enviar os dados diretamente pela internet, para a plataforma usada pelo teu médico. Assim, o médico pode ver os teus valores antes ou durante a consulta. Esta visão de conjunto ajuda-o a ajustar melhor o teu tratamento [3].
Os dados perdem-se se a bateria do telemóvel ou do recetor se descarregar?
Não. Se a bateria do telemóvel ou do recetor se descarregar, o ecrã apaga-se. O sensor continua, no entanto, a trabalhar por conta própria: continua a medir a concentração de glucose e guarda os valores na sua memória interna.
Depois de recarregares a bateria e reabrires a aplicação, os valores em falta completam-se automaticamente, e a cópia guardada online permanece, por sua vez, em segurança. Uma bateria descarregada não apaga, portanto, o teu histórico de glicemias. Se os valores não aparecerem, fecha e reabre a aplicação e verifica se o Bluetooth está ligado; se, ainda assim, a aplicação não se ligar de novo ao sensor, contacta o apoio técnico do fabricante ou a tua equipa médica.
O sensor precisa de ligação à internet para funcionar?
Não, o sensor funciona sem ligação à internet. A ligação entre o sensor e o telemóvel faz-se por Bluetooth (ou por leitura por aproximação NFC), que não precisa de acesso a uma rede de dados. Assim, podes ver a tua glicemia mesmo quando te encontras numa zona sem sinal [3].
Só precisas de internet para certas funções adicionais. Entre elas contam-se guardar os dados na nuvem e partilhar os valores com o teu médico ou a tua família (acompanhamento à distância). As funções básicas — medir a glucose e mostrar os valores estimados — funcionam também sem internet.
Conclusões
- O sensor transmite de forma automática, na maioria das vezes por Bluetooth, para um telemóvel ou um recetor dedicado; alguns sistemas usam a leitura por aproximação NFC [1].
- Os dados são guardados em vários locais ao mesmo tempo: a memória do sensor, a aplicação e, em geral, uma nuvem online [3].
- O sinal Bluetooth tem um alcance de cerca de seis metros, e o sensor guarda os valores na memória interna enquanto estás fora de alcance [3].
- O histórico da glicemia pode ser visto a qualquer momento e exportado num relatório padronizado (AGP), útil para o médico [4].
- O sensor funciona independentemente de uma bateria descarregada ou da falta de internet — as funções básicas funcionam também offline.
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Referências
- A review of flash glucose monitoring in type 2 diabetes. Diabetol Metab Syndr. 2021;13(1):42. PubMed
- Real-time CGM Is Superior to Flash Glucose Monitoring for Glucose Control in Type 1 Diabetes: The CORRIDA Randomized Controlled Trial. Diabetes Care. 2020;43(11):2744-2750. PubMed
- 7. Diabetes Technology: Standards of Care in Diabetes-2026. Diabetes Care. 2026;49(Suppl 1):S150-S165. PubMed
- Utilizing the Ambulatory Glucose Profile to Standardize and Implement Continuous Glucose Monitoring in Clinical Practice. Diabetes Technol Ther. 2019;21(S2):S217-S225. PubMed